“A terra chora, a Lagoa pede socorro”: Moradores relatam degradação ambiental na Lagoa de Ibiraquera. Marquito volta de Brasília com denuncia feita ao IBAMA pela comunidade
Moradores e integrantes do Conselho Comunitário de Ibiraquera (CCI), em Imbituba, denunciam impactos ambientais na Lagoa de Ibiraquera provocados por obras de drenagem ligadas à BR-101. Segundo a comunidade, valas abertas nas margens da rodovia estão levando sedimentos, resíduos da pista e água da chuva para dentro do ecossistema lagunar, o que tem aumentado o assoreamento e a preocupação com a qualidade da água.
A equipe do Portal AHora – parceiro do Surfemais – esteve no local, no mês de março, acompanhada por moradoras da região.
“A terra chora, a lagoa pede socorro”

Moradora da região e integrante do CCI, Rosa Teixeira diz acompanhar com preocupação a transformação da lagoa.
“Eu vejo, assim, com desespero, tudo isso que está acontecendo. Em pouco tempo, a gente vê a nossa lagoa sendo assoreada, sendo poluída. O meu marido é pescador, ele está com dificuldades de pegar peixe. A gente já está com medo de comer o peixe que ele pega aqui, pela qualidade da água”, afirma.
Rosa diz que o problema se agravou com a drenagem da marginal da BR-101. Para ela, a paisagem aparentemente tranquila esconde um processo de degradação contínuo.
“A água parece clarinha para quem vê, mas o meu simbolismo é sangue claro descendo dos morros e chegando até a lagoa. A terra chora, a lagoa pede socorro”, diz.
Comunidade diz que mobilização começou em 2023

Outra moradora, Maria Paula, relata que a comunidade passou a se mobilizar ainda em 2023, quando a abertura de uma das valas começou. Segundo ela, houve um embargo inicial, mas a obra foi retomada em 2025.
Ela afirma que as fortes chuvas do verão 2025/2026 aceleraram a erosão das margens e o carreamento de terra.
“Esse processo já mostrou um impacto forte de carreamento, erosão das margens desse canal e levou para dentro dele uma quantidade absurda de sedimentos, que logo mais à frente desembocam todos dentro da Lagoa de Ibiraquera”, afirma.
Segundo a moradora, além da terra, a água da drenagem pode carregar resíduos da própria rodovia.
“A comunidade está aflita com a qualidade da água dessa lavagem da BR, que pega resíduos de óleo, gasolina, resíduos de pneus. Estudos mostram o potencial extremamente poluidor desses resíduos, e eles vão sendo levados para dentro da lagoa também”, diz.
Três valas são apontadas como pontos de preocupação

De acordo com a comunidade, existem três valas principais que fazem a drenagem da BR-101 em direção à Lagoa de Ibiraquera.
Uma delas fica próxima a um posto de combustíveis. Outra estaria localizada cerca de um quilômetro adiante. A terceira, segundo os moradores, fica na entrada da Barra de Ibiraquera e despeja água em um riacho que deságua na lagoa.
Advogada aponta possível irregularidade ambiental e falta de consulta à comunidade
A advogada Marcela Mascarello, integrante do Conselho Comunitário de Ibiraquera, afirma que a obra ocorre em um território tradicional da pesca artesanal e que a comunidade não teria sido consultada previamente.

“A Lagoa de Ibiraquera é um território tradicional da pesca artesanal. E existe uma regulação internacional, que é a Convenção 169 da OIT, que diz que, quando houver empreendimentos ou obras que atingem comunidades tradicionais, essas comunidades precisam obrigatoriamente ser consultadas”, afirma.
Segundo ela, além da ausência de consulta, o Ibama teria identificado problemas na execução da obra.
“O Ibama fez uma visita in loco e observou que a empresa extrapolou os limites da licença, alterou o projeto sem comunicar ao ente ambiental e também não tem entregue relatórios ambientais. Então a gente vê duas questões bem graves: a omissão de informações ambientais e a extrapolação do que traz a licença ambiental”, diz.
Para Marcela, diante desse cenário, a obra deveria ser suspensa.
Medo de perda ambiental e econômica

A preocupação da comunidade vai além da paisagem. Os moradores temem impactos diretos na pesca artesanal, no turismo e no uso cotidiano da lagoa.
“Hoje cada vez é menor o número de pessoas que tomam banho na lagoa”, relata Maria.
Rosa também questiona o futuro da região:
“Esse é um dos cartões-postais de Imbituba. Então o que a gente está fazendo? A gente está chamando turista para cá e vendendo essa imagem? Que dor que sente o morador, o pescador, o ambientalista? A gente não fala por nós, a gente fala pela lagoa, porque a lagoa não tem voz.”
Confira o posicionamento da ViaCosteira sobre o caso
A ViaCosteira ressalta que todas as atividades realizadas no trecho da BR-101 Sul/SC sob sua concessão seguem rigorosamente todas as diretrizes preconizadas pelo Programa de Exploração da Rodovia (PER) à luz do contrato de concessão assinado junto ao Poder Concedente e fiscalizado pelo órgão regulador Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Da mesma forma, todas as atividades em andamento na região do km 273 em Imbituba (SC) estão em concordância com a autorização emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – (IBAMA), que prevê a implantação de canais de drenagem no segmento com o objetivo de minimizar impactos à comunidade e garantir segurança durante as obras, os quais já foram implementadas barreiras de contenção para evitar o carreamento de solo e reduzindo sua velocidade da água.
Em tempo, importante ressaltar que o trecho em questão apresentava acúmulo de água devido à configuração atual do terreno. Dessa forma, após a execução da primeira etapa do canal, o fluxo de água seguiu o caminho natural de acordo com a característica natural do local.
A Concessionária reforça que segue adotando ações para minimizar quaisquer impactos na área, conforme o projeto aprovado junto aos órgãos reguladores, garantindo a adequada drenagem da região e a segurança operacional durante todas as fases do serviço.
Deputado Marquito leva o problema para o IBAMA, em Brasília
Em meio a toda repercussão que foi dado ao problema a lagoa de Ibiraquera, o Deputado Estadual Marcos José de Abreu, conhecido como Marquito, foi até o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), para encaminhar o sério problema, e que foram realizadas pela empresa responsável pelas obras no trecho da BR 101, a Via Costeira.
Fonte: Portal Ahora.