𝗠onólogo da Zimba: 68 anos de vida ou muito mais…
Em uma conversa descontraída e muito carismática, a ‘Zimba’, personagem criado nesse monólogo, leva o leitor a refletir a importância que a cidade de Imbituba tem para ‘ela’, para muitos que vivem nela, ou para quem vem visita-la, e seu lugar no cenário em que ela está inserida. Além disso, chegando ao seu 68º aniversário de emancipação política-administrativa, ela reverencia a todos que tentam cuidar dela, pondera o seu passado e seu futuro, e agradece a quem admira e a respeita
Imbituba vista do Morro da Antena. Foto: Eduardo Rosa.
“Obrigada a todos por todas as homenagens que vou receber, pelos meus 68 anos de existência. Agradeço do fundo dos meus recantos ainda preservados e das pessoas que vivem em meu seio e que me querem tão bem.
Não sou tão distinta quanto outras cidades que me cercam, mas nasci para ser diferente. Surgi para alguns há 68 anos, mas estou aqui há muito mais tempo. Acolhi os mais diversos tipos de visitantes e até populações que passaram por aqui há centenas e até milhares de anos. Alguns fincaram suas raízes e estão até hoje me dando orgulho.

Claro que não estou falando de todos, pois tem uma parte que cuida de mim e até me venera pelo que sou e represento, e outra que ainda está de ‘passagem’, ao menos é o que demonstram. Dizer que me ama, sem efetivamente demonstrar isso, deixando que os ‘outros’ continuem se encarregando de cuidar de mim, não é a melhor forma de amar.
Tenho sentimentos também, caso não saibam, e cada vez que alguém me fere, acabo apenas contando com quem realmente se preocupa comigo. São esses ‘ombros’ amigos que posso contar e que me fazem não desistir de vocês. E têm muitos por aí, achando que estão me cuidando, cuidando de quem vive aqui mas, infelizmente só estão pensando em si mesmos, achando que tudo permanecerá assim pra sempre. Mas não…

Estou inserida num dos maiores complexos lagunares do mundo, entre três ou até quatro outras lindas cidades – minhas eternas irmãs -, envolta por lagoas, rios, mar – sendo quase uma ilha -, repleta de vegetação, florestas, morros, trilhas, planícies, com diversas espécies animais, água e alimentos em abundância, lindas praias – algumas entre as mais lindas do mundo -, peixes que não querem me deixar, muito espaço para plantar e acolher a todos e, ainda assim, muitas vezes me tratam mal.
Acham que sou como outros lugares que já estão se acabando, onde já poluíram e destruíram quase tudo, onde cada um vive por conta própria, achando que não precisamos um do outro – de mim e de você – para nossa sobrevivência, ou mesmo que não precisam de mim para continuar me admirando, ou apenas vivendo suas vidas.

Mesmo feliz em completar estes 68 anos de ‘emancipação político-administrativa’, como todos se referem a esta data, não deveriam me reverenciar apenas quando este dia chega, mas todos os dias.
Eu sou delicada, e também dedicada a todos que me amam e se preocupam comigo. Retribuo sempre da melhor forma que posso, com belos amanheceres, emocionantes fins de tarde, lindas paisagens, ar puro, água limpa, bastante espaço para que todos se sintam bem, e até as baleias vêm me visitar durante esta época do ano. Será que é porque sou tão linda assim?!!

Continuem me adorando e me cuidando, pois estarei sempre aqui para fazê-los felizes. Prometo que ninguém vai se arrepender, pois estarei sempre linda pra todos vocês e para quem vier me visitar. Todos terão sempre orgulho de mim e continuarão me mostrando para quem não me conhece como o melhor lugar do mundo para se viver e se amar. E seremos felizes para sempre.”
