21 de janeiro de 2026

Praias em SC entram em Colapso: Imbituba segue sendo um dos melhores destinos no verão. Até quando?!!

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Registros feitos nas redes sociais mostram possível colapso turístico e ambiental sendo registrado em várias praias em diferentes cidades do litoral catarinense. Falta de água, luz, esgoto despejado em rios e pelos sistemas pluviais e, posteriormente, diretamente no mar, em diversas praias, e surtos de doenças gastrointestinais, foram os principais destaques. Colapso no trânsito também já virou marca registrada mostrando que o litoral catarinense carece de muito mais investimentos para propagandear seu turismo

Destaque em Imbituba na última semana.

Logo após a virada do ano, ou antes mesmo, o litoral catarinense já recebia um fluxo considerado acima do normal para esta época do ano. As cidades do litoral norte de Santa Catarina, bem como Florianópolis, já se viam isoladas pelo trânsito excessivo trazido pela gigantesca massa turística nesta época do ano. A Br 101, que durante o ano já vinha causando transtornos na região, acabou também contribuindo com o sério problema viário.

Lembrando que o fluxo de turistas nesta temporada já superava estatísticas em relação a outros anos, podendo ser considerado o de maior ocupação tanto no ramo hoteleiro, como na projeção de locações de imóveis. A tendência nos últimos anos, com a melhora da economia da população, foi decisiva para invasão de turistas que se tem visto nas últimas semanas. Ao longo da matéria diversos recortes das redes sociais que indicam o colapso que ocorre no litoral catarinense.

Mas, na contramão de todo desenvolvimento na infraestrutura que o estado tem apresentado, nota-se ainda insuficiente para a demanda crescente de ocupação das cidades litorâneas, e que nesta época do ano tem sua população seriamente impactada pelo aumento de turistas. Além do colapso viário, outros sérios problemas vêm acontecendo em algumas das principais praias do estado, e que agora, se proliferam para outros destinos turísticos em crescimento nos últimos anos.

A escolha pelo crescimento deve vir acompanhada por outros fatores

Cidades crescem, muitas vezes em descontrole. Antigamente, e ainda se ouve que, “são só algumas semanas no ano“, que o verão acontece. Mas, as cidades são, ou deveriam ser projetadas para seus moradores. Se existe um apelo para que mais pessoas venham a visitar, isso deve ser muito bem pensado pelos responsáveis de sua administração, não feito de qualquer forma.

O colapso foi além do normal nesta temporada. Já ouvia-se falar em redes pluviais e fluviais recebendo esgoto in natura há muitos anos, crises nas áreas de limpeza, leia-se recolhimento de lixo, e no abastecimento de água. Mas, o que tem ocorrido nesta temporada é algo ainda inexplicável, ou como diziam os antigos, “coisa de polícia!!”.

Governados Celso Ramos, Bombinhas, Meia Praia, a praia de Quatro Ilhas, que era considerado até pouco tempo um paraíso protegido ambientalmente, certificada com a Bandeira Azul para a temporada 2025/2026, entre outros locais, agora se juntam ao rol de outros destinos afetados durante a temporada, como Balneário Camboriú, Florianópolis e Itapema. Parece uma ‘endemia’ de problemas que vai se alastrando, sendo copiadas e reverenciadas por outros destinos turísticos. Nem as taxas ambientais cobradas em algumas cidades estão surtindo efeito.

Diarreia e outros problemas de saúde invadem hospitais e postos de saúde

Já se tinha visto nos últimos verões, surtos de problemas gastrointestinais, normalmente, em grandes centros turísticos de Santa Catarina. Mas, como uma epidemia, várias outras cidades têm registrado problemas semelhantes. Lagoas e rios antes, já eram inundados de escoamento irregular, e agora a cada chuva mais forte, típica nesta época do ano, tudo vai parar no mar, e como consequência, centros de saúdes impactados.

É de se pensar em como um estado em que a cobertura de saneamento básico em Santa Catarina apresenta uma realidade mista: o abastecimento de água é alto, próximo aos 90%, mas a coleta e tratamento de esgoto ainda é um grande desafio, com índices que giram em torno de 33% a 45%, de cobertura de rede entre 2023 e 2024. E ainda assim, apelam para o turismo desenfreado, impactando economicamente seus moradores, sim, mas trazendo dores de cabeça e insalubridade.

Água vira artigo de luxo em muitos pontos do litoral

As redes de água que atendem as cidades, normalmente, são projetadas para atender o número de habitantes que vivem nelas, ou um pouco mais nesta época do ano. Mas, sem um planejamento específico, acabam virando dor de cabeça para moradores de muitas regiões, bem como, seus administradores.

Relatos de vários pontos do litoral, comunidades inteiras ficaram com suas caixas d’água vazias – quem tinha caixa d’água!! – durante longos períodos, caminhões pipas acionados de última hora, e até manifestações foram organizadas sobre o tema, como ocorreu em Imbituba. O problema iniciado na virada do ano, ainda detém relatos de alguns moradores que vivem em partes mais altas de alguns bairros sem o líquido precioso.

A falta de planejamento, aliado ao excessivo número de pessoas que desembarcam em nosso litoral nesta época, são ingredientes perfeitos para o caos. É sabido que muitas melhorias são executadas durante o ano, mas eventos sempre acontecem e pegam todos de surpresa.

E como fica Imbituba neste cenário?!!

Imbituba é uma das poucas últimas cidades que ainda se mantém ‘intactas’ em relação ao crescimento que nos últimos anos, avassalam outras pelo litoral. Mas, algo que ficou preservado por tanto tempo, com tantas e tantas belezas naturais, muitas intocadas, com a segurança que conhecemos, com grandes recursos hídricos e sua tranquilidade, já sente o vento do crescimento batendo a sua porta. Claro, ainda vai demorar para acontecer.

Mas, é notável, a grande quantidade de pessoas que aqui se fixaram nos últimos anos. A maioria vem atrás de qualidade de vida, outras, de trabalho e, muitas vezes o crescimento acaba atropelando o planejamento que deveria haver para atender este contingente. Ainda que um processo lento, além de migrantes de outros estados, um fato novo tem sido notado. Das cidades do norte do estado tem havido uma contribuição para este aumento populacional.

Qual seria o motivo? Muitos reclamam do crescimento desordenado, do trânsito que não atende mais as expectativas nem dos moradores durante o ano, e das poucas condições de segurança que muitas cidades acabam enfrentando, sendo esses os espelhos principais das cidades que, pode-se dizer, ‘ficaram para trás’ no trem do crescimento e do desenvolvimento. Saneamento básico é outro ponto em comum as justificativas.

Há um relato extraoficial ainda, de que Imbituba hoje contaria com cerca de 80 mil habitantes, ou perto disso. Um incremento real e perigoso, se vermos o último censo em 2022, que indicava quase 53 mil habitantes. Então, poderíamos tentar contabilizar algo próximo de 200 mil habitantes, um pouco menos, talvez, em pleno verão.

Saneamento básico, planejamento e recalcular a rota

Indiscutivelmente, uma coisa leva a outra, e sem planejamento geral e amplificado, todos acabam pagando um preço alto. Prédios e mais prédios já brotam, principalmente, no centro da cidade. Lembrando, ninguém é contra o crescimento. Mas, para onde irá todo o esgoto da cidade quando já não atende a contento ao que hoje está posto? E o plano de saneamento que vive não saindo do papel? Existe um Conselho para isso, e o por que tanto descaso e falta de atenção?

O projeto principal deveria contemplar 100 anos, ou mais, de políticas de crescimento e ordenamento da ocupação do território municipal em diversos âmbitos, mas na velocidade que as coisas estão indo, talvez 20 anos seja muito, e um flerte como convite ao descaso total e o descontrole.

É muito importante o crescimento, o desenvolvimento, o turismo que agrega muito para a economia da cidade, mas, a que custo isso virá da forma que estão se encaminhando?!! Não podemos continuar usando como exemplos cidades que, pelo apelo que se dá ao luxo e ao encarecimento, se tornaram vis a sua própria população.

Contudo, a população tem que contar com a sorte, ou então, ajudar, participando e se conscientizando que pode existir um outro caminho, não só aquele se põe ou tentam colocar a mesa. Para muitos, o atraso turístico e desenvolvimento da cidade, se deveu há vários fatores, um deles e extinta ICC – Indústria Carboqúimica Catarinense -, que por um lado atrasou o desenvolvimento turístico da cidade, e fez crescer suas vizinhas, Laguna e Garopaba, que já apresentam problemas semelhantes as grandes mecas do turismo do estado.

Talvez, seja ainda a hora de recalcular melhor a rota, e começar a pensar em se proteger do trem descarrilhado do desenvolvimento desenfreado que se tornaram as cidades que tentam copiar a ‘Abu Dhabi’ brasileira, ou até mesmo a ‘Ilha da Magia’. É inconteste que o problema vem, mas, não existiriam formas de se contornar os ‘espinheiros e as armadilhas’ que surgem no caminho para tratar melhor quem vive aqui e quem vem nos visitar? A organização e a consciência podem ser a chave para o futuro da Zimba.

Abaixo diversos outros exemplos de como nosso litoral já está em colapso, e não é apenas na alta temporada.

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