19 de junho de 2024

Filipe Toledo é bicampeão mundial no WSL Finals em Trestles

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Foi o 5º título seguido do Brasil e o 7º em 9 anos. Filipe é o décimo da história a conquistar 2 títulos seguidos, Caroline Marks é a nova campeã mundial de 2023 e é a primeira norte-americana a vencer em 26 anos

Filipe Toledo e Caroline Marks campeões mundiais da WSL em 2023. Foto: Thiago Diz/WSL

Filipe Toledo é o novo bicampeão mundial no Rip Curl WSL Finals e Caroline Marks é a nova campeã da World Surf League. Os títulos foram decididos nas ondas de 4-6 pés do sábado de praia lotada em Lower Trestles, na Califórnia. Filipe Toledo é o décimo surfista a ganhar dois títulos, em 47 anos de história do Circuito Mundial. Foi o quinto consecutivo do Brasil e o sétimo nos últimos nove disputados no World Surf League (WSL) Championship Tour. (CT) Já Caroline Marks é a primeira norte-americana a ser campeã, desde o tetra da Lisa Andersen em 1994/1995/1996/1997.

“É muito difícil colocar em palavras, todos os sacrifícios que foram feitos para chegar aqui. Foram muitos. Minha primeira filha nasceu 7 anos atrás e eu não estava presente, com ela e a minha esposa. Também não estava no nascimento do meu filho. Mas, sabia que, ao longo do tempo, isso ia valer a pena”, foram as primeiras palavras do novo bicampeão mundial, depois de ser carregado pela torcida desde o mar até a arena do Rip Curl WSL Finals.

Filipe Toledo é o primeiro brasileiro a conquistar dois títulos consecutivos, igualando um feito que apenas seis surfistas conseguiram desde 1976 até 2022: o tetracampeão Mark Richards em 1979 e 1980, Tom Carroll em 1983 e 1984, Tom Curren em 1985 e 1986, Kelly Slater em 1994 e 1995, enfileirando 5 seguidos até 1998, Andy Irons em 2002 e 2003 e John John Florence em 2016 e 2017. O segundo título de Filipe Toledo, foi o quinto seguido do Brasil e o sétimo dos últimos nove disputados, desde quando Gabriel Medina foi campeão em 2014.

Filipe Toledo usando o aéreo para finalizar sua melhor onda em Trestles. Foto: Pat Nolan/WSL.

“Tudo isso é um sonho, um sonho realizado”, continuou Filipe Toledo“Nunca tivemos um brasileiro que ganhou o título consecutivo e os brasileiros estão adorando fazer história. Eu me sinto abençoado. Não foi fácil, nunca é fácil, mas tive muita fé e uma equipe gigante de apoio, o meu time 77, amo todos vocês e minha família, minha esposa, filhos, minha mãe, meu pai, irmãos, irmã, meus amigos. Agora é o momento de comemorar o título”.

Filipe é o único que chegou na decisão de todas as três primeiras edições deste formato do Rip Curl WSL Finals, inaugurado em 2021. As duas primeiras foram encerradas com finais brasileiras em Lower Trestles. Filipe perdeu o título de 2021, no tricampeonato de Gabriel Medina. Mas, foi campeão mundial em 2022 contra Italo Ferreira e agora consegue o bicampeonato, ganhando de Ethan Ewing também por 2 a 0 na melhor de 3 baterias.

O australiano mostrou estar totalmente recuperado da contusão nas costelas, sofrida em uma queda em Teahupo´o, antes do SHISEIDO Tahiti Pro, surfando com muita força e potência nas manobras. Ele não deu qualquer chance para o brasileiro João Chianca na sua primeira bateria em Trestles e nem para o californiano Griffin Colapinto no duelo que definiu o oponente de Filipe Toledo na decisão do título. Os dois deram um show eletrizante na primeira da melhor de três baterias.

Filipe Toledo com o troféu do bicampeonato mundial na World Surf League. Foto: Thiago Diz/WSL

DECISÃO DO TÍTULO – A torcida que lotou a praia, vibrava intensamente a cada onda surfada. Filipe mostrou toda a versatilidade do seu surfe, combinando manobras de borda abrindo grandes leques de água, com as aéreas em uma velocidade única. Até Kelly Slater já comentou que ele é o melhor surfista nas ondas de alta performance de Lower Trestles. Filipe começou com nota 7,00, contra 7,33 do Ethan Ewing, que fez 8,50 na segunda, mas o brasileiro igualou a nota 9,00 do australiano contra João Chianca. Na terceira, Ethan fez 8,73 e Filipe conseguiu um 8,97, para vencer com o maior placar do Rip Curl WSL Finals 2023, 17,97 a 17,23 pontos.

Na segunda bateria, o mar já havia mudado bastante, com as séries demorando mais para entrar, então a escolha das melhores ganhou peso decisivo naquela condição de mar. Os dois demoraram para surfar suas primeiras ondas e Ethan Ewing até ganhou a maior nota, 7,67, mas foi a única boa que ele achou. Filipe Toledo conseguiu 7,50 e 6,77 em duas seguidas, para vencer por 14,27 a 12,37 pontos, sacramentando o bicampeonato mundial no Rip Curl WSL Finals, com o mesmo placar de 2 a 0 sobre Italo Ferreira no ano passado.

“Faz 10 anos que eu surfo aqui todos os dias, então eu sabia como a maré ia influenciar nas séries (de ondas), quando iam ficar mais espaçadas”, disse Filipe Toledo, que mora em San Clemente, onde fica Trestles. “Eu sabia que precisaria pegar umas ondas logo no início da bateria, porque o Ethan só ia me vencer, se pegasse as maiores das séries. Mas, eu sabia que iam demorar, então segui com minha estratégia, porque sabia que ia funcionar e funcionou”.

João Chianca é top-4 do mundo em sua primeira temporada completa no CT. Foto: Thiago Diz/WSL

TOP-4 DO MUNDO – Apesar de não conseguir o título mundial, que a Austrália não vence desde o tricampeonato de Mick Fanning em 2013, Ethan Ewing mostrou estar muito bem fisicamente. Logo na primeira bateria que disputou em Trestles, contra o brasileiro João Chianca, o australiano massacrou suas ondas com um ataque fortíssimo de frontside. Ele largou na frente com nota 7,83, a segunda foi 8,60 e a terceira ganhou 9,00 dos juízes. Ethan Ewing venceu por 17,60 a 14,57 pontos, mas Chumbinho já tinha garantido o quarto lugar no ranking final de 2023, com a vitória sobre Jack Robinson por uma larga vantagem de 15,33 a 11,87 pontos. 

As marcas da vitória de Ethan Ewing sobre João Chianca, só foram batidas por Filipe Toledo. O australiano depois enfrentou o ídolo local e dono da torcida que lotou Trestles no sábado, Griffin ColapintoEthan surfou bem de novo, usando muita força nas manobras e já começou com uma nota excelente, 8,17. Depois, foi trocando o 7,00 da sua segunda onda, por 8,13 da terceira e pelo 8,93 da quarta, para derrotar Griffin Colapinto por 17,10 a 15,96 pontos. 

Caroline Marks mostrou um ataque de backside imbatível nas direitas de Trestles. Foto: Pat Nolan/WSL

CAMPEÃ MUNDIAL – Na decisão do título feminino, Carissa Moore não conseguiu o perseguido hexacampeonato e viu a jovem Caroline Marks, 21 anos, entrar na galeria de campeãs mundiais. O ataque vertical e potente de backside da surfista da Flórida, estava imbatível nas direitas de Trestles. O caminho do título começou com uma disputa de vaga para os Jogos Olímpicos de Paris 204, contra Caitlin Simmers, que tinha passado pela australiana Molly Picklum.

As duas se enfrentaram na decisão do SHISEIDO Tahiti Pro no palco das Olimpíadas, com Caroline Marks sendo a campeã nos tubos de Teahupoo. Então, certamente queria estar lá disputando medalhas para os Estados Unidos, junto com a havaiana Carissa Moore. Essa primeira bateria em Trestles foi fraca de ondas, mas Carolina venceu Caitlin novamente, por 11,67 a 10,36 pontos. Já contra a bicampeã mundial Tyler Wright, as ondas estavam bem melhores e Marks mostrou todo o potencial do seu surfe, ganhando notas 8,33 e 9,07 dos juízes. 

“É muito inspirador ter meu nome nessa lista das Olimpíadas”, disse Caroline Marks“Este era um dos meus objetivos, mas ser campeã mundial, é uma loucura! Eu passei por uma situação estranha no ano passado e fiquei duvidando de mim mesma. Estou me sentindo tão bem agora, isso é tão bom e realmente não sei o que dizer. Estou muito emocionada com tudo que aconteceu esse ano”. 

Carissa Moore é vice-campeã do Rip Curl WSL Finals pela segunda vez. Foto: Cait Miers/WSL

DECISÃO DO TÍTULO – Na primeira final de três baterias contra Carissa MooreCaroline Marks repetiu seu ataque agressivo de backside e somou 8,67 com 8,43, na vitória por 17,10 a 14,97 pontos das notas 7,70 e 7,27 da havaiana. Na segunda bateria, a surfista da Flórida começou botando pressão sobre a pentacampeã mundial, com o 7,00 e 7,60 que recebeu nas duas primeiras ondas. O máximo que Carissa Moore conseguiu foi 6,93 e 6,60 e acabou perdendo mais uma chance de conseguir seu sexto título. No ano passado, viu Stephanie Gilmore ganhar o oitavo dela e agora é Caroline Marks que entra neste seleto grupo de campeãs mundiais.  

“A Carissa (Moore) foi uma grande inspiração para mim, durante o crescimento de toda a minha vida”, destacou Caroline Marks“Ela teve um ano excelente e era um sonho meu estar na final com ela. Acabei de pegar uma prancha ótima e tenho muitos familiares e bons amigos aqui, eu realmente sinto esse apoio e foi muito importante, então estava tudo fluindo pra mim hoje. Acabei de viver um dia especial com o oceano, então, uau, é muito bom”.

A decisão do Rip Curl WSL Finals foi mesmo entre as melhores surfistas da temporada. Elas encabeçam a lista de recordes do CT 2023, com Carissa Moore no topo com nota 9,67 e 18,00 pontos nas semifinais do Surf Ranch ProCaroline Marks foi quem chegou mais perto dessa melhor apresentação do ano, com o 9,63 e os 17,80 pontos nas direitas de Jeffreys Bay, na primeira fase da etapa da África do Sul.

RESULTADOS DO RIP CURL WSL FINALS 2023:

DECISÃO DO TÍTULO MUNDIAL MASCULINO:
Bicampeão: Filipe Toledo (BRA) por 2 a 0
2.a final: Filipe Toledo (BRA) 14,27 x 12,37 Ethan Ewing (AUS)
1.a final: Filipe Toledo (BRA) 17,97 x 17,23 Ethan Ewing (AUS)
—————-
3.a bateria: Ethan Ewing (AUS) 17,10 x 15,96 Griffin Colapinto (EUA)
2.a bateria: Ethan Ewing (AUS) 17,60 x 14,57 João Chianca (BRA)
1.a bateria: João Chianca (BRA) 15,33 x 11,87 Jack Robinson (AUS)

DECISÃO DO TÍTULO MUNDIAL FEMININO:
Campeã de 2023: Caroline Marks (EUA) por 2 x 0
2.a final: Caroline Marks (EUA) 14,60 x 13,53 Carissa Moore (HAV)
1.a final: Caroline Marks (EUA) 17,10 x 14,97 Carissa Moore (HAV)
—————-
3.a bateria: Caroline Marks (EUA) 17,40 x 13,70 Tyler Wright (AUS)
2.a bateria: Caroline Marks (EUA) 11,67 x 10,36 Caitlin Simmers (EUA)
1.a bateria: Caitlin Simmers (EUA) 15,17 x 12,17 Molly Picklum (AUS)

SURFISTAS QUE GANHARAM MAIS DE UM TÍTULO MUNDIAL:
11 – Kelly Slater (EUA) em 1992/94/95/96/97/98/2005/2006/2008/2010/2011
4 – Mark Richards (AUS) em 1979/1980/1981/1982
3 – Tom Curren (EUA) em 1985/1986/1990
3 – Andy Irons (HAV) em 2002/2003/2004
3 – Mick Fanning (AUS) em 2007/2009/2013
3 – Gabriel Medina (BRA) em 2014/2018/2021
2 – Tom Carroll (AUS) em 1983/1984
2 – Damien Hardman (AUS) em 1987/1991
2 – John John Florence (HAV) em 2016/2017
2 – Filipe Toledo (BRA) em 2022 e 2023 

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