3 de março de 2024

Alejo Muniz é o último sul-americano no Challenger Series da África do Sul

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Catarinense passou para as quartas de final na quinta-feira e o peruano Lucca Mesinas foi barrado nas oitavas de final. Luana Silva e Laura Raupp também ficaram em nono lugar e o australiano Jacob Willcox ganha primeira nota 10 do ano

Alejo Muniz manobrando forte nas direitas de Willard Beach. Foto: @WSL/Pierre Tostee.

O brasileiro Alejo Muniz é o único sul-americano que segue na briga do título do Ballito Pro apresentado por O´Neill na África do Sul. O catarinense vai enfrentar o português Frederico Morais nas quartas de final desta terceira etapa do World Surf League (WSL) Challenger Series (CS). Na quinta-feira de ondas tubulares em Willard Beach, o peruano Lucca Mesinas e as brasileiras Luana Silva e Laura Raupp perderam nas oitavas de final e terminaram em nono lugar. 

As oitavas de final masculinas e as duas primeiras baterias das oitavas femininas foram realizadas na quinta-feira. As outras seis das mulheres ficaram para abrir a sexta-feira na África do Sul. A primeira chamada será as 7h00 em KwaZulu-Natal, 2h00 da madrugada no horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelo WorldSurfLeague.com. O catarinense Alejo Muniz disputou o quarto confronto do dia e despachou o norte-americano Jake Marshall por 15,43 a 14,10 pontos.

Foi uma verdadeira batalha travada quase onda a onda nas direitas de Ballito. Os dois apresentaram o mesmo repertório de longas curvas, batidas verticais e snaps poderosos abrindo grandes leques de água. O californiano abriu a bateria com nota 7,77, contra 7,50 do brasileiro. Mas Alejo aproveitou muito bem as chances que teve para mostrar seu frontside agressivo. Ele já assumiu a ponta com 7,43 em sua segunda onda e selou a vitória com 7,93 na última que surfou. O máximo que Jake Marshall conseguiu depois, foi 6,33 na última dele. 

Alejo Muniz pode entrar nos top-10 do ranking se chegar na final do Ballito Pro. Foto: @WSL/Kody McGregor.

“O Jake (Marshall) é um surfista incrível e um grande amigo, então eu estava muito animado para entrar logo na água”, disse Alejo Muniz, que tenta retornar a elite do CT. “A nossa bateria teve muitas ondas boas e não foi tão difícil escolher as certas. Eu adoro esse lugar e essas ondas, então estou superfeliz por estar aqui. Este já é o meu melhor resultado, depois das derrotas logo nas primeiras baterias que disputei nas duas etapas da Austrália”.

Com a classificação para as quartas de final do Ballito Pro, Alejo Muniz já saltou da 51.a para a 17.a posição no ranking do Challenger Series, que vai classificar 10 surfistas para completar a elite dos top-34 do World Surf League Championship Tour (CT) no ano que vem. No momento, o único sul-americano que está neste grupo é Samuel Pupo, que venceu a primeira etapa do ano na Gold Coast, mas não passou da sua estreia na África do Sul.

Assim como SamucaJadson André também estava entre os top-10 e igualmente perdeu de cara no Ballito Pro. Os dois disputaram as quartas de final do Vivo Rio Pro apresentado por Corona em Saquarema no último sábado e partiram no mesmo dia para a África do Sul. Ambos saíram da elite do CT no corte do meio da temporada e tentam recuperar suas vagas pelo Challenger Series. Só que Jadson já despencou para o 15.o lugar no ranking, sendo um dos quatro que já saíram dos top-10 na África do sul. 

Samuel Pupo é o único sul-americano entre os top-10 do Challenger Series. Foto: @WSL/Pierre Tostee.

Os que entraram na lista classificatória para o CT 2024, foram o português Frederico Morais, adversário de Alejo Muniz nas quartas de final, o americano Kade Matson, o australiano Morgan Cibilic e o francês Joan DuruAlejo pode entrar nos top-10 nesta etapa, mas tem que chegar na grande final do Ballito Pro, para ultrapassar o norte-americano Jett Schilling, que caiu da quinta para a décima posição no ranking. 

Dos quatro que já entraram nos top-10, o único que não se classificou para as quartas de final foi Morgan Cibilic. Ele foi derrotado em um dos melhores duelos do Challenger Series 2023. Em uma verdadeira batalha de tubos nas direitas de Willard Beach, o líder do ranking, Jacob Willcox, conseguiu a primeira nota 10 do circuito de acesso ao CT esse ano. Com ela somada ao 8,67 que já havia recebido, atingiu 18,67 pontos para superar os 17,07 das notas 8,90 e 8,17 de Morgan Cibilic, que poderia ter vencido todas as outras baterias do campeonato.

“Essa foi provavelmente a bateria mais divertida da minha vida”, confessou Jacob Willcox, novo recordista absoluto do Ballito Pro. “Eu pensei que o Morgan (Cibilic) tinha me vencido naquele tubo que ele pegou nos últimos 5 minutos. Eu vi a onda vindo e depois me surpreendi quando saí daquele meu último tubo, porque fiquei profundo demais. Achei que cometi alguns erros na bateria, perdi a prioridade algumas vezes pegando onda ruim, mas tive sorte que a onda perfeita veio para mim no final”.

Jacob Willcox ganhou a primeira nota 10 do Challenger Series 2023 na quinta-feira. Foto: @WSL/Kody McGregor.

MAIORIA AMERICANA – Entre os classificados para as quartas de final do Ballito Pro, a maioria dos surfistas é dos Estados Unidos. Jacob Willcox é o único australiano e vai enfrentar o californiano Kade Matson na primeira bateria. A segunda será entre o português Frederico Morais e o brasileiro Alejo Muniz. Na terceira tem o francês Joan Duru com Nolan Rapoza e na última este confronto de países se repete, com o californiano vice-líder do ranking, Cole Houshmand, contra Kauli Vaast.

Na quinta-feira, o outro único sul-americano que competiu, além de Alejo Muniz, foi o peruano Lucca Mesinas, eliminado por Kade Matson no segundo confronto dia. Depois das oitavas de final masculinas, foram realizadas as duas primeiras baterias das oitavas femininas, com participação das duas últimas surfistas da América do Sul. Ambas eram brasileiras e também foram eliminadas em nono lugar no Ballito Pro, como Lucca Mesinas

MENINAS DO BRASIL – A primeira a cair foi Luana Silva, em um confronto entre duas surfistas que já fizeram parte da elite do CT. A experiente australiana Sally Fitzgibbons assumiu a liderança no ranking do Challenger Series, que vai classificar cinco surfistas para completar o grupo das top-17 do CT em 2024. Sally vai consolidando o seu retorno com a passagem para as quartas de final, derrotando a brasileira que mora no Havaí, por 12,83 a 10,90 pontos.

Laura Raupp fez uma boa apresentação em sua estreia no Challenger Series 2023. Foto @WSL Pierre Tostee.

Já a jovem catarinense Laura Raupp, que foi convocada para substituir a cearense Silvana Lima no Ballito Pro, vendeu caro a derrota para a francesa Vahine Fierro. A surfista criada no Taiti, detonou uma longa direita com uma série de manobras que receberam nota 8,50 dos juízes. A brasileira surfou bem também, conseguindo notas 6,67 e 7,00 em suas melhores ondas. Mas, Vahine Fierro somou 6,43 para vencer Laura Raupp por 14,93 a 13,67 pontos. 

PARTICIPAÇÃO SUL-AMERICANA – A participação sul-americana no Ballito Pro até começou bem, com Krystian Kymerson fazendo os recordes da primeira fase no domingo e Michael Rodrigues aumentando as marcas do capixaba com seus aéreos na segunda-feira. No entanto, apenas Alejo Muniz e Lucca Mesinas conseguiram passar mais de duas baterias nas direitas de Willard Beach. Alejo ainda segue na disputa do título do Challenger Series da África do Sul e o peruano terminou em nono lugar nas oitavas de final.

Foi Lucca Mesinas quem barrou Michael Rodrigues na terceira fase, ganhando a briga pela segunda vaga para as oitavas de final no confronto vencido pelo líder do ranking, o australiano Jacob Willcox. O cearense ficou em 17.o lugar no Ballito Pro, empatado com outros três brasileiros que ficaram em terceiro nas suas baterias, Deivid SilvaIan Gouveia e Mateus Herdy. Já Rafael Teixeira terminou em 25.o por ter sido o último colocado na sua bateria da segunda fase, quando foi eliminado junto com Ian Gouveia

O peruano Lucca Mesinas parou nas oitavas de final na quinta-feira. Foto: @WSL/Nicolette Tostee.

Outros oito sul-americanos perderam na segunda fase. Os surfistas que saíram direto das quartas de final do Vivo Rio Pro em Saquarema para a África do Sul, Samuel Pupo e Jadson André, ficaram em terceiro nas suas baterias e em 33.o lugar no campeonato, assim como Edgard GroggiaKrystian Kymerson e o chileno Guillermo Satt. Já o peruano Miguel Tudela e os brasileiros Lucas Silveira e Leo Casal, ficaram em último nas suas e em 49.o no Ballito Pro.

Ainda teve o jovem Ryan Kainalo, que não passou da primeira fase no domingo e ficou na 73.a e última posição nesta terceira etapa do Challenger Series 2023. Na categoria feminina, Sophia Medina também perdeu em sua estreia e ficou em 33.o lugar, mas Laura Raupp e a peruana Sol Aguirre avançaram em segundo nas suas baterias. Laura depois passou junto com a nova líder do ranking, Sally Fitzgibbons, na bateria que a peruana Daniella Rosas terminou em último e em 25.o lugar no campeonato. 

Assim como Daniella Rosas e Sally FitzgibbonsLuana Silva era uma das cabeças de chave que estrearam nesta segunda rodada da competição. Ela passou em segundo no confronto vencido pela francesa Vahine Fierro. Depois, a peruana Sol Aguirre foi barrada pela norte-americana Bella Kenworthy e a australiana Sophie McCulloch, terminando em 17.o lugar no Ballito Pro. Nenhuma sul-americana está no grupo das top-5 que se classificam para o CT. Luana Silva ainda é a mais bem colocada, em oitavo lugar no ranking no momento.

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