19 de junho de 2024

Moradores, autoridades e ambientalistas promovem caminhada e Abraço Simbólico nos Areais da Ribanceira após queimada que consumiu uma área de 16 hectares em Imbituba. Foto: SOS Butia Catarinensis.

Ambientalistas promovem caminhada e abraço simbólico nos Areais da Ribanceira após queimada que consumiu uma área 16 hectares em Imbituba

De mãos dadas, ao som dos pássaros e conduzidos pelo Coletivo TaiáTerra de Condução Ambiental Local, os defensores da flora e fauna de Imbituba procederam ao abraço simbólico na área devastada que contou também com os coletivos da Acordi e com a participação do secretário de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca da Prefeitura de Imbituba, Evaldo Espezim.

Ao final do abraço, simbolicamente crianças plantaram uma muda do butia catarinensis no local. No retorno, representando a resistência e o respeito à terra, representantes da Acordi plantaram junto ao marco da Associação uma muda recuperada do incêndio ocorrido em 2017 pelo técnico agrícola, Olivar Francisco Filho.

Propostas e compromissos, incluem Carta ao Governador do Estado e criação de brigada de incêndio

Reunião antes de Caminhada e Abraço Simbólico. Foto: SOS Butia Catarinenses

Cerca de 40 pessoas entre moradores e representantes de organizações, entidades, Poder Público, Corpo de Bombeiros Militar e da Defesa Civil Municipal reuniram-se na Associação Comunitária Rural de Imbituba (Acordi), durante a manhã do último domingo (08), e o assunto do encontro foi o incêndio que consumiu aproximadamente 16 hectares de uma Área de Preservação Ambiental nos Areais da Ribanceira, na última quarta-feira, dia 4.

Dados da reportagem publicada pela Prefeitura de Imbituba, no dia seguinte à tragédia ecológica, revelam que este foi o segundo incêndio de grandes proporções em menos de dois anos naquela área. Segundo levantamento, este último atingiu duas áreas distintas; uma com aproximadamente 13 hectares e outra com 3,16 hectares que resultaram na queima da flora e de dezenas de butiazais, afetando também a fauna nativa e todo o seu ecossistema.

O encontro, iniciado com uma roda de conversa, aconteceu no Barracão da Acordi e durou mais de uma hora e trinta minutos. De forma propositiva, os participantes avaliaram as metas definidas em 2017, os resultados até então alcançados e elencaram prioridades para dar continuidade às tratativas do Movimento.

Após a reunião, os participantes entraram silenciosamente nos caminhos tradicionais dos Areais da Ribanceira. Ao longo do percurso, destacou um dos ambientalistas, “a paisagem mudou de tom e cheiro, mas, lentamente o ritmo da vida já é de reconstituição”.

Abraço Simbólico e presença de autoridades municipais

Foram apresentadas no encontro propostas de prevenção, melhorias, educação e sensibilização ambiental e principalmente o compromisso de buscar alternativas para que ainda em 2019 o Movimento esteja preparado para combater as possíveis queimadas.

Entre as proposições deliberadas no encontro, que serão encaminhadas ainda neste mês de setembro estão a elaboração e divulgação de um documento do Movimento SOS Butia catarinensis, que externe os resultados da Caminhada e Abraço aos Areais da Ribanceira.

A elaboração e protocolização de uma carta ao governador do Estado, Carlos Moisés da Silva, informando sobre a existência do “Movimento SOS Butia catarinensis”, que é contra as queimadas e em favor do butiá, esclarecendo os fatos ocorridos e solicitando equipamentos adequados ao Corpo de Bombeiros Militar de Imbituba para que o mesmo tenha infraestrutura para atender com eficiência e eficácia as ocorrências demandadas na cidade de Imbituba.

Os ambientalistas pedem ainda que seja permitida uma facilitação na comunicação entre a Defesa Civil Municipal e a Defesa Civil Estadual de modo a agilizar recursos para folders de conscientização e abafadores para a futura brigada. Faz parte também das deliberações a elaboração e protocolização de uma carta ao prefeito Rosenvaldo Júnior esclarecendo a intenção e solicitando a compra de equipamentos necessários para a realização de um curso para brigada comunitária voluntária na cidade, em até 60 dias. 

Confira abaixo as demais reivindicações elencadas pelos coletivos que participaram da manifestação: 

– Propor à Prefeitura de Imbituba o mapeamento de empresas e instituições que possuem brigada para estabelecer parceria na contenção de incêndios florestais;

– Solicitar à Prefeitura de Imbituba que solicite as organizações competentes investigação as constantes queimadas ocorridas em Imbituba;

– Elaborar e protocolar uma carta ao Corpo de Bombeiros Militar de Imbituba esclarecendo os fatos e solicitando a criação de um curso para brigada comunitária voluntária na Cidade, com início em 2019, para que os imbitubenses tenham efetivamente condições de colaborar na contenção das queimadas;

– Listar e encaminhar ao Corpo de Bombeiros Militar de Imbituba a relação dos cidadãos que participaram do Curso de Incêndios Florestais, realizados nos dias 16 e 17 de setembro de 2019, no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro para que posteriormente possam auxiliar o Corpo de Bombeiros no treinamento com a comunidade interessada;

– Verificar com o ICMBio APA da Baleia Franca planejamento sobre a questão dos incêndios na APA;

– Buscar recursos junto a Prefeitura de Imbituba, Governo de Santa Catarina, Assembleia Legislativa do Estado, Câmara Municipal, IBAMA e ICMBio APA da Baleia Franca para aquisição de equipamentos de combate ao incêndio que possam estar disponíveis juntos aos brigadistas voluntários capacitados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Imbituba;

– Solicitar à Prefeitura de Imbituba a instalação de placas educativas, em todas as praias da cidade, orientando à comunidade e aos turistas sobre o Butia catarinensis e seu ecossistema, reforçando a existência dos butiazais e sua importância;

– Solicitar à Prefeitura de Imbituba a criação da Guarda Municipal de Combate a Incêndio Florestal;

– Solicitar à Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte da Prefeitura de Imbituba e à 19º Gerência Regional de Educação do Estado de Santa Catarina a parceria para sensibilizar e conscientizar crianças, jovens e adultos da importância da preservação dos butiazais e de seu ecossistema, alertando para a contenção das queimadas;

– Buscar recursos para desenvolver e publicar uma cartilha que sensibilize e conscientize crianças, jovens e adultos da importância da preservação dos butiazais e de seu ecossistema, alertando para a contenção das queimadas;

– Criar um grupo de voluntários para desenvolver as atividades educativas;
– Promover ações educativas de prevenção junto às escolas, comunidades e associações;

– Criar um grupo de trabalho para desenvolver atividade de análise das regiões de butiazeiros e análise de documentações para possíveis trabalhos a serem realizados;

– Solicitar ao COMDEMA informações sobre o andamento do Grupo de Trabalho criado para tratar das questões dos butiazais;

– Articular com o COMDEMA e SEMA até novembro de 2019 a apresentação ao Movimento do Projeto de Lei, que dispõe sobre o Butia catarinensis;

– Solicitar ao COMDEMA participação de representante do Movimento SOS Butia catarinensis no Grupo de Trabalho criado para tratar das questões dos butiazais;

– Solicitar ao COMDEMA participação de representante do “Movimento SOS Butia catarinensis” no Grupo de Trabalho que será criado para o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica;

– Colaborar com a SEMA na identificação de áreas na cidade que possuem Butiazais, mapeando o que é possível transpor e o que não pode ser alterado em virtude do ecossistema;

– Buscar, reunir mapear e divulgar estudos que meçam e precisem as espécies nativas em risco de extinção e em extinção no território; estudos das áreas que sofrem constantes queimas, para embasamento técnico e científico de melhor controle sobre a verificação da influência do fogo na dinâmica natural da vegetação nativa nos campos arenosos;

– Trabalhar com entidades e órgãos afins a elaboração de um Programa de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais. Documento que visa estabelecer metas, cronograma e orientações para o combate à incêndios nas áreas de Mata Atlântica e Restinga existentes no município de Imbituba e região;

– Solicitar à Prefeitura de Imbituba que haja alguma fiscalização nas criações e pastagens de gado em áreas de preservação, pois os mesmos prejudicam a vegetação nativa drasticamente.

Integram o Movimento SOS Butia catarinensis a Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI), BUTIÁ catarinensis, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca, Diretoria de Cultura Cultura Imbituba (Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte) da Prefeitura de Imbituba, TaiáTerra Condução Ambiental Local, Fortaleza Slow Food do Butiá do Litoral Catarinense, Projeto Caminhos do Butia catarinensis – IFSC Câmpus Garopaba, Ingaia Ecoturismo, Lagunambiental, Rota dos Butiazais – Red Palmar, Ecosurf, Associação de Surf de Imbituba – ASI, Trilha Ecoturismo, COMAI – Conselho Municipal das Associações de Imbituba e CMPC – Conselho Municipal de Política Cultural de Imbituba, Ao Sul Natural Turismo, Rota da Baleia Franca, EcoImb – Portal de Informações Ecológicas de Imbituba, Associação de Condutores Ambientais, de Aventura e Guias de Turismo de Garopaba e Imbituba/SC (Aconguia), AMVE – Associação de Moradores da Vila Esperança, souIM – Economia Criativa, Mercadim rede de criativos, Fórum da Agenda 21 Local da Lagoa de Ibiraquera, CCI – Conselho Comunitário de Ibiraquera e ASPECI – Associação dos Pescadores da Comunidade de Ibiraquera.

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