4 de maio de 2026

Surf Brasil é tetracampeão nos Jogos Pan-Americanos de Surf 2026 no Panamá

0

No domingo foram conquistadas mais 3 medalhas de ouro com Douglas Silva com um aéreo nota 10 na Playa Venao, Silvana Lima e Guilherme dos Reis no SUP Race

Aereo do título de Douglas Silva no Panamericano no Panamá. Foto: Fabian Sanchez.

Surf Brasil conquistou o tetracampeonato nos Jogos Pan-Americanos de Surf Panamá 2026, em 5 anos da gestão Teco Padaratz na presidência da Confederação Brasileira de Surf. No domingo foram completadas 14 medalhas só esse ano no evento realizado pela Pan American Surf Association (PASA). Foram mais 3 de ouro, do Douglas Silva, da Silvana Lima e do Guilherme dos Reis no SUP Race, que teve dobradinha com a prata do Eri TenorioDodô confirmou seu primeiro título panamericano com a única nota 10 esse ano e um recorde de 16,50 pontos na final com o argentino Thiago Passeri. E a Silvana festejou o bicampeonato na decisão contra a peruana Daniella Rosas, depois de deixar Juliana dos Santos com a medalha de bronze na semifinal cearense na Playa Venao do Panamá. E ainda teve a de cobre da Lena Ribeiro pelo quarto lugar no SUP Race.

     “O Paulo Moura (chefe da equipe técnica do Time Brasil) já vinha me falando que tava na hora de soltar os aéreos. É uma carta que tenho na manga e já comecei a mandar os aéreos desde ontem”, disse Douglas Silva, sobre a única nota 10 dos Jogos Pan-Americanos de Surf 2026. “Deus me abençoou com aquela esquerda e foi um aéreo difícil, porque não imaginei que ia rodar tão vertical. Eu pensei em dar um full rotation caindo de frente pra praia, mas quando vi a prancha já dobrando no alto, segurei logo na borda e acabei dando um aéreo carpadão. Foi bizarro, incrível. Acreditei na estratégia do Paulo, do Guga (Arruda), da Andréa (Lopes), os técnicos que estão sempre nos auxiliando e Deus abençoou, então foi só agradecer”.

Douglas Silva. Foto: Klitin Web.

     A medalha de ouro conquistada de forma espetacular pelo pernambucano Douglas Silva, foi a segunda consecutiva do Time Brasil no domingo na Playa Venao. A primeira já havia sido garantida pela hexacampeã brasileira, Silvana Lima, que também no Panamá, venceu seu primeiro título panamericano em 2023, só que em outra praia, Santa Catalina. Silvana ainda ganhou uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Surf de 2024 no Peru, onde ela, Juliana dos Santos e Julia Duarte, foram derrotadas pela peruana Melanie Giunta na final em Punta Rocas. E a cearense já tinha perdido duas finais de QS para Daniella Rosas nos últimos meses no Brasil, no ano passado em Imbituba (SC) e agora em 2026 na sua casa no Ceará.

     “Nossa, é muito difícil de ganhar da Daniella (Rosas). Eu venho perdendo várias vezes para ela no Brasil, esse ano mesmo já perdi uma final de QS pra ela, sei que é muito competidora, então eu fui pra dar o meu melhor”, disse Silvana Lima“Graças a Deus, ela deixou passar aquela onda do 6,40 ali, foi onde fiz a diferença e estou muito amarradona por mais uma medalha de ouro. É a segunda aqui no Panamá, estou superfeliz e acho até que vou ter que tatuar o nome Panamá. Obrigado todo mundo que tava na torcida, amor, deu bom aqui, deu bom família, todo mundo de Paracuru, a gente é ouro mais uma vez e simbora”.

     A competição de pranchinha dos Jogos Pan-Americanos de Surf 2026, era para ter sido encerrada no sábado, mas uma tempestade desabou na Playa Venao quando as cearenses Silvana Lima e Juliana dos Santos garantiram mais duas medalhas para o Surf BrasilSilvana passou em segundo no confronto vencido por Leilani McGonagle, da Costa Rica. E a Juliana fez um novo recorde feminino de 13,74 pontos na vitória sobre a peruana Daniella Rosas e a argentina Katya Wirsch. Nessa bateria, a tempestade ficou mais intensa com raios e a competição acabou sendo cancelada, com as finais ficando para o domingo.

SILVANA LIMA CONQUISTA O PRIMEIRO OURO DO DOMINGO NO PANAMÁ

Silvana Lima ficou com Bi-campenato nos Jogos Panamericanos no Panamá. Foto: Philippe Demarsan.

     No último dia, as condições do mar estavam bem mais difíceis, com ondas pequenas e longas calmarias, mas ainda apareciam algumas que abriam mais parede para mandar as manobras. No entanto, a sorte de achar as melhores ganhou peso decisivo e Silvana Lima conseguiu pegar uma boa logo no início da semifinal brasileira com Juliana dos Santos. A nota 5,17 recebida, praticamente definiu a vitória por 8,74 a 8,33 pontos, com Silvana seguindo para a decisão da medalha de ouro e Juliana ficando com a sua segunda de bronze, repetindo o terceiro lugar nos Jogos Pan-Americanos de Surf de 2024 no Peru.

     A primeira decisão do domingo foi a terceira feminina entre Brasil e Peru nas ondas da Playa Venao no Panamá. O placar estava 2 a 0 para as peruanas, com Vania Torres derrotando Aline Adisaka no SUP Surf e Maria Fernanda Reyes derrotando Chloe Calmon no Longboard. Silvana Lima largou na frente com nota 5,50 na sua primeira onda e na segunda até arriscou um aéreo, mas Daniella Rosas assumiu a ponta com o 5,60 da segunda que surfou. Aí veio uma longa calmaria, até tudo ser decidido nos minutos finais, quando Silvana Lima pegou duas ondas seguidas. Na primeira, acertou três ataques que valeram 5,47 e passou à frente. Logo pegou outra direita boa e combinou três manobras fortes com velocidade, que receberam nota 6,40 e confirmou o bicampeonato panamericano da Silvana Lima por 11,90 a 11,30 pontos.

SEMIFINAL EMOCIONANTE DO DOUGLAS SILVA COM O BICAMPEÃO PANAMERICANO

Silvana Lima voltando a voar no PASA Games 2026. Foto: Philippe Demarsan.

     Antes da final feminina, Douglas Silva também tinha vencido um confronto Brasil x Peru, contra um dos favoritos ao título, o bicampeão panamericano Lucca Mesinas e único peruano a fazer parte da elite do surf mundial. As ondas estavam bem pequenas, mas a bateria foi emocionante do início ao fim. O brasileiro conseguiu imprimir velocidade para usar os aéreos, que fizeram a diferença no resultado. Mas sua primeira onda boa, foi usando as manobras de borda em uma esquerda, que valeu nota 6,33. Logo, Douglas pega outra esquerda para somar 7,33 com um aéreo full-rotation de frontside.

     Lucca Mesinas responde em uma direita boa, que abre uma parede lisinha pra fazer três manobras fortes de frontside, abrindo grandes leques de água para ganhar nota 7,00. O peruano também acerta um aéreo de frontside em outra direita, que vale 5,33. Mas, Douglas Silva também pega uma direita para mandar um aéreo rodando de backside e troca a nota 6,33 da primeira onda, por 6,47. Com ela, abre 6,83 pontos de vantagem nos minutos finais. O peruano ainda pega uma esquerda e manda três ataques potentes de backside, que ameaçam a vitória do brasileiro. Felizmente, a nota saiu 6,73 e Douglas Silva avançou para a final por 7 centésimos de diferença no placar encerrado em 13,80 a 13,73 pontos.

A PRIMEIRA MEDALHA DE OURO PANAMERICANA DO BICAMPEÃO BRASILEIRO

Douglas Silva nos Jogos Panamericanos no Panamá. Foto: Klitin.

     Na decisão da medalha de ouro, o bicampeão brasileiro foi preciso na escolha das poucas ondas que entraram na bateria. O argentino Thiago Passeri tinha sido o único a derrotar Douglas Silva na Playa Venao, na fase classificatória para as semifinais, quando o pernambucano avançou em segundo lugar. Depois, Passeri bateu o campeão panamericano do ano passado na Guatemala, o equatoriano Alex Suárez, sempre usando as manobras aéreas. E foi voando que ele começou o ataque contra Douglas Silva, que largou na frente com nota 6,50 com cinco batidas e rasgadas numa esquerda que abriu uma longa parede até a beira.

     Thiago Passeri logo assumiu a liderança com uma nota 5,00 de um pancadão de frontside numa direita e um 7,33 com um aéreo rodando em outra direita. Douglas Silva também pega uma direita para voar de backside, mas a prancha escapa e não completa a manobra. Faltando 8 minutos para o término, o brasileiro acha uma esquerda da série que forma a rampa para voar muito alto, jogando a rabeta pra cima com bastante verticalidade. Dodô faz o giro completo no ar e aterrissa na espuma, emergindo com o dedo apontado para o céu. Os cinco juízes deram nota 10 unânime para Douglas Silva, que festejou a sua primeira medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Surf com todo o Time Brasil na Playa Venao.

     “Primeiramente, quero agradecer a Deus por essa trajetória incrível na minha vida nesses últimos anos. São três anos de muita benção, sou bicampeão brasileiro de 2024 e 2025, agora campeão panamericano 2026 e quero fazer um agradecimento especial à Seaway, que já está há mais de 15 anos me patrocinando”, exaltou Douglas Silva“Quero agradecer também minha família, meu técnico Alan Donato, minha namorada (Kemily Sampaio), o pai e a mãe dela, todos os meus patrocinadores por esse momento incrível que a gente tá vivendo e agradecer a Surf Brasil por esse time incrível, o Paulo (Moura), Guga (Arruda), Andréa (Lopes), Américo (Pinheiro) e todos os atletas que estão aqui. Era um sonho estar nesse evento e me sinto realizado por ganhar o título panamericano individual e de equipes. Estou muito feliz e agora já vou arrumar as malas, para amanhã voltar pra casa em Pernambuco, pra competir no Circuito Brasileiro”.

SURF BRASIL CONQUISTA O TETRA COM 63 MEDALHAS NA GESTÃO TECO PADARATZ

     O Surf Brasil encerra a participação nos Jogos Pan-Americanos de Surf 2026 com o tetracampeonato em 5 anos da gestão Teco Padaratz na presidência da Confederação Brasileira de Surf. Os dois primeiros títulos foram também no Panamá em 2022 e 2023 e o terceiro no Peru em 2024. Agora em 2026, novamente no Panamá, o Time Brasil ganhou 14 medalhas, sendo 6 de ouro com as do Douglas Silva, da Silvana Lima e do Guilherme dos Reis no SUP Race no domingo, somadas as do Eder Luciano Maylla Venturim no Bodyboard e do Luiz Diniz no SUP Surf. Foram mais 4 de prata com Chloe Calmon no Longboard, Maira Viana na final brasileira do Bodyboard, Aline Adisaka no SUP Surf e Eri Tenorio no SUP Race, além de 3 de bronze com Juliana dos Santos no Surf, Carlos Bahia no Longboard e Gabi Sztamfater no SUP Surf e 1 de cobre da Lena Ribeiro no SUP Race.

     Em 5 participações nos Jogos Pan-Americanos de Surf, o Surf Brasil na gestão Teco Padaratz já coleciona um incrível número de 63 medalhas, sendo 19 de ouro, 17 de prata, 19 de bronze e 8 de cobre. O Time Brasil foi completo para os PASA Games esse ano no Panamá. A equipe viajou com 22 atletas, 11 homens e 11 mulheres na lista de 6 surfistas, 4 longboarders, 4 remadores do SUP Surf e 4 no SUP Race e mais 4 no Bodyboard. O vice-presidente e diretor de esportes da Confederação Brasileira de SurfPaulo Moura, atual como chefe da equipe técnica, composta por mais dois ex-surfistas profissionais como ele, Guga Arruda e Andrea Lopes, além de Américo Pinheiro e Gabriela Willinghoefer.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Confederação Brasileira de Surf – João Carvalho.

About Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *