2 de março de 2024

Kitin Muñoz atravessando o Pacífico a bordo do Mata Rangi

Travessias inter-oceânicas milenares. O explorador espanhol, Kitin Muñoz, prova que essa é uma teoria muito provável. E como a cultura de construção de balsas de junco pode ter chegado até as ilhas da Oceania

Algumas décadas mais tarde às expedições do norueguês Thor Heyerdhal, foi a vez de Kitin Muñoz, grande explorador espanhol, que assim como Heyerdhall, lançou-se pelo Pacífico, com o apoio da UNESCO, para também comprovar que a civilização Polinésia, e até a australiana e a japonesa, entre outras, teriam algumas – ou muitas – influências nos ‘aborígines’ sul-americanos.

El Uru: A primeira expedição de Kitin

Kitin a bordo do El Uru.

Em 1988, Kitin deixou o porto de Callao, em Lima, Peru, a bordo do EL URU, uma balsa com 18 metros de comprimento, 4 metros de largura e pesando mais de 10 toneladas. Dispunha de dois timões – que mais pareciam com remos –, um mastro com 16 metros, tripulação composta de cinco marujos, levando 1.500 litros de água e 250 quilos de provisões mais um rádio para eventuais emergências, sendo este o único toque moderno da longa travessia.

Cinco séculos depois de Colombo, o espírito de aventura marítimo está vivo na Espanha. E assim se apresentou Kitin Muños graças ao êxito da expedição da EL URU”, elogiou Thor Heyerdhal, pioneiro desta travessia. Costearam as Ilhas Galápagos e alcançaram as Ilhas Marquesas chegando até ao Tahiti, onde a lenda das viagens inter-oceânicas está enraizada em sua cultura e vive nas tradições da ilha até os dias de hoje. Com 54 dias de viagem, a missão EL URU foi concluída com sucesso e de maneira feliz.

Mata Rangi: ‘A Nave’ que naufragou

MATA RANGI I, Kitin pronto para zarpar pelo Oceano Pacífico.

Depois ele partiu para a Ilha de Páscoa, em 96, para construir o que chamou de Nave. E foi essa referência que ele utilizou para comparar o que os habitantes sul-americanos da época tentavam realizar, assim como hoje, que exploram o universo para tentar chegar a outros planetas. Com o nome de MATA RANGI I – que no dialeto pascuense significa “olhos que tudo vê” ou “olhos do paraíso” –, o projeto de construção de um barco de época e a expedição foram batizados.

Na praia de Anakena, em Páscoa, onde o rei HOTU MATUA desembarcou de uma das balsas com três mastros, como foi esculpido no peito da estátua de RANO RARAKU, divindade polinésia, Kitin pretendia continuar a investigação começada pelas balsas KON-TIKI e EL URU e percorrer toda a Polinésia no intuito de provar a teoria da influência sul-americana naquelas Ilhas. Seu feito, desta vez, não alcançou o êxito esperado e naufragou junto com o barco.

Mata Rangi II: 59 dias pela Corrente de Rumboldt, no Pacífico, e o imprevisto

Mata Rangi II, em alto mar durante a expedição. O legado histórico destas pesquisas é imensurável.

Em 98, com o fracasso do Mata Rangi I, Kitin Muñoz não se deu por vencido e voltou para o Lago Titicaca, no Peru, e com a ajuda dos índios Aymaras, e do junco do lago – pois a falha da primeira tentativa foi usar o junco da Ilha de Páscoa –, iriam construir uma Nave de 30 metros de comprimento e 7 de largura, na praia de Chinchorro, Arica, Chile, de onde partiria a missão Mata Rangi II.

Sua pretensão era chegar até as ilhas da Polinésia e, com um pouco de sorte, ao Hawai, utilizando os ventos e as correntes marítimas que insurgiam do sul da América do Sul até o litoral Equatoriano e se lançavam em direção a Ásia, conhecida como correntes de Rumboldt.

Após 59 dias lutando contra os elementos da natureza a equipe chegou às Ilhas Marquesas, no Tahiti. Vale ressaltar que Kitin teve o cuidado de construir esta balsa com materiais e técnicas indígenas das mais tradicionais. Junto com uma família de construtores de balsas de totora, descendentes dos índios Aymaras, colheram a madeira e buscaram plantas na Floresta Amazônica da Bolívia e do Brasil, para fazer as coradas das amarras.

Todos que participavam da empreitada tiveram a certeza de que iriam completar a viagem. Porém, não teve o cuidado de fazer uma resina especial, que demandava tempo, além do que Kitin dispunha, ocasionando o elemento surpresa da viagem: um fungo, que poderia ter se instalado nas cordas das amarras, corroendo-as até romperem uma a uma.

A lenda muito antes de Colombo

Mata Rangi III quando ainda estava sendo construido no Porto de Barcelona na Espanha. Comparativo com os carros mostram a enormidade do novo barco.

Uma lenda conta que expedições indígenas inter-oceânicas chegavam e partiam muitos séculos antes de Colombo. E desde que o homem conheceu o mar teve vontade de saber o que havia do outro lado, não importando se o preço pudesse ser a vida.

Kitin Munõz tentou, ainda, atravessar o Oceano Atlântico na expedição intitulada Mata Rangi III, saindo do porto de Barcelona, na Espanha, através do Mar Mediterrâneo. Mas não teve o êxito esperado por conta das fortes tempestades e corrente marítimas que assolam esta parte dos mares. Queria ele atravessar o Canal do Panamá, chegar ao Hawaii e, quem sabe, completar uma volta ao mundo numa enorme balsa de Totora, voltando ao porto de Barcelona, ou mesmo, ao Egito.

Na terceira e última parte desta aventura, é descrito o que Cesar Dal Molin, o Cachorrão da Praia Mole, em Florianópolis, descobriu em duas expedições realizadas pela costa oeste sul-americana, que acabaram se tornando históricas, pelo rico material em fotos, comprovações, e outras já evidenciadas questões levantadas por cientistas e já muito bem colocadas em vários canais televisivos, mas que podem sim evidenciar o surfe como um dos esportes mais antigos do mundo.

Para acessar o Capítulo 3, clique aqui.

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